Expectativa é otimista, de expansão em todo o período em relação a 2009, mas crescimento será menor que o de meses anteriores.
O comércio mostra estar otimista com relação às vendas do terceiro trimestre, como aponta o Índice Antecedente de Vendas (IAV) – indicador apresentado ontem pelo Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). O IAV prevê crescimento das expectativas de vendas da ordem de 5,6% para julho, de 6,2% para agosto e de 6,5% para setembro. O índice utiliza sempre a comparação com o iguais meses do ano anterior. O indicador é calculado com base nas expectativas transmitidas pelas 33 empresas que fazem parte do IDV.
De acordo com o instituto, juntas essas companhias representam cerca de 25% do varejo total registrado no País. Essa é a primeira vez que o IAV é apresentado ao mercado, embora o índice seja apurado desde 2007 pelo IDV. Até então, os resultados eram compartilhados apenas entre as empresas consultadas pelo instituto para a elaboração do indicador. Ritmo menor – Os resultados esperados para o terceiro trimestre do ano revelam continuidade na tendência de alta nas vendas do varejo verificada desde o segundo semestre de 2009. No entanto, a expectativa para os próximos três meses confirma também um movimento de redução no ritmo dessa evolução.
Essa desaceleração nas expectativas já é sentida pelas empresas desde o segundo trimestre. A base de comparação ajuda a explicar a moderação, uma vez que os resultados dos primeiros meses de 2009 – quando a crise financeira internacional ainda afetava a economia – foram ruins. "Mas também tivemos o fim da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o aumento da taxa básica de juros interferindo nas expectativas de vendas", disse Flávio Rocha, conselheiro do IDV.
Para o ano, a expectativa de Rocha é que as vendas do comércio varejista cresçam 10%. Segundo ele, o aumento da oferta de crédito vem se mostrando fundamental para a expansão dos negócios. "As vendas do varejo reagem melhor ao aumento da oferta de crédito do que ao aumento da renda", afirmou Rocha.
Ele destacou ainda a redução do desemprego como fator que contribuiu de forma destacada para a manutenção de elevação da demanda. Sintonia – A série histórica divulgada pelo IDV mostra que os resultados apontados pelo IAC são coerentes com os resultados da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), que mostra as vendas efetivadas mês a mês.
A comparação entre os dois indicadores revela ainda que o varejista tende a ser conservador em suas expectativas, que normalmente são inferiores às vendas efetivadas. A ultima medição do PMC, realizada em maio, apontava crescimento de 10,2% nas vendas, enquanto a expectativa do comércio para esse mês era de 8% de alta.
Renato Carbonari Ibelli
Fonte: site ACSP